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Porque Voltámos a Valorizar o Feito à Mão?
Porque estamos a voltar a valorizar coisas feitas à mão?
Durante alguns anos e com o avançar da produção mecânica, começamos a viver rodeados de objetos produzidos em massa, comprar uma coisa feita à mão podia parecer uma escolha ultrapassada, no entanto hoje parece estar a surgir uma nova opinião precisamente ao contrário.
Por vivermos rodeados de objetos produzidos em larga escala, padronizados, em fábricas totalmente automatizadas onde a interação humana é mínima ou mesmo inexistente. O “feito à mão” tem vindo a ganhar um valor diferente e especial, não como nostalgia, mas como resposta ao excesso de uniformidade. Hoje, olhamos para peças artesanais com novos olhos — e com nova vontade de as trazer para casa.
A conveniência tornou-se a regra, para comprar um objeto ou uma peça de decoração basta abrirmos o telemóvel ou o computador, entrarmos numa página, escolher, comprar e pronto, poucos dias depois, temos mais uma coisa em casa. É claro que isto é prático, mas muitas vezes o que recebemos não tem significado, não conhecemos nada sobre a peça, onde foi feita? quem a fez? é única ou existem milhares delas? simboliza alguma coisa? alguma tradição? alguma arte?
Talvez seja por isso mesmo que começamos novamente e cada vez mais a valorizar uma peça feita à mão que não é só uma simples peça mas que tem muito mais agregado.
Mas o que mudou?
Durante grande parte da nossa história, o trabalho artesanal / manual esteve associado sobretudo à necessidade. As pessoas criavam aquilo de que precisavam: teciam, moldavam, esculpiam, pintavam. Com a introdução da produção industrial, tudo isto se transformou, passámos a produzir em maior quantidade, mais depressa e mais barato.
É claro que isto nos trouxe enormes vantagens, ganhámos eficiência que permitiu o nosso desenvolvimento como sociedade, mas também fez com que muitos objetos perdessem uma característica muito importante: A sensação de terem sido feitos por alguém, pois eles são exatamente iguais entre si e o que não seja é automaticamente rejeitado.
Hoje, quando encontramos uma peça que apresenta pequenas diferenças, uma textura própria ou uma pintura que não é exatamente igual à seguinte, sabemos que esta foi feita ou passou pelas mãos de alguém e isso não é mais um defeito mas a sua identidade e é precisamente aquilo que a torna especial.
Já não queremos que tudo seja igual
Atualmente vivemos uma curiosa contradição. Temos acesso a mais produtos do que nunca, mas acabamos rodeados de objetos semelhantes ou muito parecidos, com as mesmas decorações, os mesmos padrões, os mesmos estilos e formatos.
Mas isto também fez com que fosse natural que muitas pessoas começassem a procurar exatamente o contrário — peças com personalidade, objetos diferentes que não pareçam saídos de uma linha de produção, que possuam pequenas marcas ou imperfeições e que por isso sejam únicos, ou seja algo que não seja perfeito no sentido industrial da palavra, mas que tenha pequenas características que o tornam exclusivo.
É assim que o que é feito à mão e feito artesanalmente voltou a ganhar valor.
Uma peça feita à mão leva tempo e o tempo passou a fazer parte do valor
Quando compramos um objeto numa grande superfície, nunca pensamos em quanto tempo é que isto demorou a ser feito? Porque isso deixou de ser “importante”.
No artesanato, acontece exatamente o contrário, o tempo está muito mais presente e muito importante. Está presente em cada etapa, há uma técnica para dominar, uma matéria-prima para escolher e várias etapas até chegar ao resultado final que dependendo da peça pode ser uma moldagem, uma secagem, uma pintura, tecelagem ou o acabamento.
Cada gesto em todo este processo depende essencialmente da experiência da pessoa que o executa. Esse tempo de produção de uma peça não é um custo, mas o seu significado e faz parte do valor da peça.
As pequenas diferenças contam uma história
Nenhuma peça artesanal é exatamente igual a outra. A pintura pode variar ligeiramente, a textura pode ser diferente, uma pequena imperfeição pode aparecer. E isso não significa necessariamente que a peça tenha menos qualidade, mas sim que houve intervenção humana.
Quando compramos algo feito à mão, estamos também a aceitar que nem tudo precisa de ser absolutamente uniforme e é precisamente isso que torna estas peças ainda mais interessantes.
O Artesanato também é conhecimento
Quando falamos de artesanato, pensamos muitas vezes apenas no objeto final, mas por trás de cada peça existe conhecimento é uma técnica, aprendida há muitos anos e transmitida ao longo de gerações. Trabalhar o barro, a madeira, o linho, a cortiça ou fibras naturais, preparar uma superfície, pintar ou de utilizar uma determinada ferramenta não aparece de um dia para o outro. É o resultado da prática é a tradição e a cultura.
Se uma técnica deixar de ser utilizada, não desaparece apenas um produto, mas toda a história de vida de muitas pessoas, é por isso, muito importante preservar a nossa história, cultura e tradições, escolhendo produtos artesanais portugueses e ajudar a manter essas técnicas em movimento e o conhecimento vivo.
Comprar menos, mas escolher melhor
O artesanato não é sobre quantidade. É sobre significado.
Uma pequena peça artesanal escolhida com cuidado pode ter mais valor e significado do que uma casa cheia de objetos comprados sem pensar.
É por isso que também funciona tão bem como recordação de viagem, pois quando compramos algo com significado, anos depois ao olhar para uma peça, lembramos do lugar, do momento, das pessoas, dos momentos que vivemos. O objeto passa a ter também uma história e um sentimento nosso.3
Portugal é um país rico em técnicas, materiais e tradições artesanais. De norte a sul, encontramos formas únicas de trabalhar madeira, barro, cortiça, linho, lã e muito mais. Cada região desenvolveu os seus próprios conhecimentos e formas de trabalhar, o seu estilo, a sua identidade e o seu toque.
Uma peça artesanal portuguesa não representa apenas o que vemos a olho nu. Representa o lugar onde foi feita, o material utilizado, o conhecimento de quem a criou e a cultura que lhe deu origem.
É isso que torna o artesanato português tão interessante e único.
O feito à mão não ficou no passado
Talvez uma das ideias mais erradas sobre o artesanato seja pensar que este pertence apenas ao passado.
Não pertence!
As técnicas podem ser antigas, mas as peças podem ser totalmente atuais. Hoje encontramos artesãos e pequenos produtores que utilizam métodos tradicionais para criar objetos pensados para casas modernas, sejam elas para si, para oferecer ou simplesmente para quem procura algo diferente.
A tradição não precisa ficar parada. Pode e tem de evoluir, adaptar-se e continuar a fazer sentido para novas gerações.
E num mundo onde quase tudo pode ser comprado em poucos segundos, uma coisa feita à mão lembra-nos de algo bastante simples:
Isto foi feito por alguém!
Alguém que imaginou a peça, que escolheu o material, que trabalhou no material, que tomou decisões que fizeram com que aquele objeto acabasse por ser diferente de todos os outros.
Quando compramos artesanato, não compramos apenas um objeto. Compramos a sua história.
Na Portugal Care, gostamos precisamente dessa ligação entre objetos e histórias. Selecionamos peças feitas em Portugal por artesãos e pequenos produtores, escolhendo objetos que possam representar um pouco da cultura e da criatividade do nosso país.
Uma boa recordação não precisa de ser grande, pode ser uma pequena peça que, anos mais tarde, nos faça lembrar Portugal.
E talvez seja essa a verdadeira razão pela qual estamos a voltar a valorizar aquilo que é feito à mão. Porque num mundo onde tudo parece igual, aquilo que é diferente e feito por mãos humanas tem uma história para contar.